sábado, 10 de dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

Interlúdio

O prazo para as minhas 101 coisas está quase acabando - em menos de seis meses, vou ter completado mil e um dias desde que fiz aquela lista, e é impressionante quão poucas coisas consegui cumprir em todo esse tempo. Acho que o que mais me assusta, no entanto, é quão poucas coisas eu continuei querendo. Isso não é novidade para ninguém, o quanto tudo muda, mas a verdade é que ser confrontada, assim, com uma prova direta - não do que você mudou em aparência, mas do que você mudou por dentro - é uma coisa no mínimo fascinante. É o que ocorre, também, com eventos anuais, por mais agradáveis que sejam: A comparação do que você é e do que você foi é inevitável, e, para mim, pelo menos, decidir se o resultado foi positivo ou negativo é sempre difícil. Fato é que a minha escrita não é mais o que costumava ser, e sinto falta da facilidade com que as palavras costumavam me vir, e da ausência de um complexo de não ser boa o bastante para elas. Outro fato é que a minha percepção ao mundo ao meu redor aumentou extremamente, e talvez isso acabe funcionando a meu favor, no futuro. O último fato é que o nosso crescimento e a nossa felicidade não são contínuos ou lineares, e raramente seguem pela mesma direção.

Recentemente, tenho visto mais animes do que vejo há muito tempo. Tenho também procurado escrever, embora nada do que eu produzo me agrade. Além disso, tenho sempre me sentido inadequada ou não boa o suficiente - é, como já disse, um sentimento que não vai embora sozinho, e às vezes me cansa lutar com ele. Às vezes tudo me cansa, ponto final. E a minha tendência a se cansar de tudo cansa a mim mesma, o que é, no mínimo, contraproducente. Mas isso acho que vocês já sabem.

De resto, estou normal. Aliás, estou, na verdade, num momento desagradavelmente normal e desinteressado e espero sair deste estado logo. Vamos ver.

sábado, 19 de novembro de 2011

Ka-tet

Às vezes eu me pergunto se tu faz de propósito.

X

(E a verdade, no fim das contas, que nenhum dos três sabia – e que Cuthbert e Alain não viveriam para descobrir -, era que a morte não era uma coisa lenta ou dolorosa, nem rápida e simples. A de um ser humano talvez fosse, mas a morte mais freqüente, a natural, a quase sempre inesperada, era aquela que a pessoa jamais percebia que estava acontecendo até o processo terminar. Era uma morte que viera devagar, silenciosamente, e fincara raízes na parte mais profunda da alma dos três, a parte para a qual nenhum deles teria lhe dado direito de fazer aquilo. Mas a morte não precisava de direitos, afinal, e ela se limitou a espalhar-se – raízes e mais raízes crescendo livremente por aquele coração comum que os três partilhavam, aquela vida, aquela amizade; raízes cinzentas e finas que o cobriam de todos os lados, sem escapatória, as pontas dos galhos passando calmamente por aquele tesouro como se o estivessem acariciando; raízes que um dia, que nenhum deles previra, apertariam-se com toda a força do mundo entre si e o coração seria sufocado aos poucos, com a maior dor existente, e todos os três sentiriam o aperto ao mesmo tempo, e essa seria a última coisa que sentiriam; e uma vida inteira teria ido embora para sempre, sem pressa, sem ruído.)

X

"- Quer saber qual era a única coisa que meu irmão tinha para me ensinar? – As lágrimas deixavam a voz de Eddie pastosa e irregular.

-Quero. – disse o pistoleiro. Ele se inclinou para frente, os olhos colados atentamente os de Eddie.

- Ele me ensinou que quem mata o que ama fica para sempre condenado."


X

Às vezes eu me pergunto se tu sabe o que faz.

X

"- Todos nós vamos morrer um dia. – disse o pistoleiro. – Não é apenas o mundo que segue adiante. – Olhou diretamente para Eddie, olhos levemente azuis que, sob aquela luz, eram quase cor de ardósia. – Mas seremos magníficos."


X
"- Ele é imortal, você acha? Já ouvi muita coisa na vida e já ouvi rumores de muito mais, mas nunca conheci um homem ou uma mulher que vivessem para sempre.
-Não acho que ele precise ser imortal. Acho que tudo que precisa fazer é escrever a história certa. Porque algumas histórias realmente vivem para sempre.”

X

Às vezes tenho certeza absoluta de que entendo absolutamente tudo o que você escreve (às vezes penso que você está escrevendo para mim, sem saber, ou talvez com plena consciência disso), às vezes não sei se entendi certo, às vezes não entendo porra nenhuma. Às vezes penso se toda essa imagem que você passa é verdade ou se é só pose, e até que ponto dela é intencional. Às vezes o tanto que eu gostaria de ser como você me intimida um pouco, porque a sua existência não parece ser muito invejável por si só.

Às vezes tenho medo demais de ler os seus livros - mas não pela razão pela qual a maior parte das pessoas teria.

X

"
Se tivesse sabido como falar, teria dito: Olhei para o que ele construiu e para mim aquilo explicava as estrelas."