sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Quero escrever,

quero, quero, preciso. Quero falar de umas paradas que andei pensando, mas elas parecem meio melancólicas demais; quero falar algo engraçado, mas parece meio bobo demais. Quero escrever algo que faça as pessoas pensarem, refletirem, rirem, chorarem e acreditarem. Quero escrever sobre como tem merda nesse mundo, sobre como tem coisas bonitas nesse mundo, sobre como as merdas e as coisas bonitas conseguem às vezes ficar tão próximas que você sequer saber a diferença entre uma e outra. Sobre mim, sobre gente que eu conheço, sobre gente que eu não conheço, sobre gente que eu ainda quero conhecer. Sobre tudo, sobre tudo. Acho que não existem palavras suficientes para todos os assuntos que eu quero abordar.

sábado, 7 de novembro de 2009

Dos Frutos da Terra


"Nossa literatura, e particularmente a romântica, louvou, cultivou, propagou a tristeza; e não essa tristeza ativa e resoluta que empurra o homem às ações mais gloriosas; mas uma espécie de estado frouxo da alma, a que chamavam melancolia, que empalidecia vantajosamente a fronte do poeta e lhe carregava o olhar de nostalgia. Havia nisso um tanto de moda e também de complacência. A alegria parecia vulgar, sinal de uma saúde demasiado boa e tola; e o riso enrugava desagradavelmente o rosto.

[...] Sim, sei que há nisso mais resolução do que abandono ao natural. Sei que Prometeu sofre acorrentado no Cáucaso, e que Jesus Cristo morre crucificado, um e outro por terem amado os homens. Sei que, único entre os deuses, Hércules traz na fronte a marca da angústia de ter triunfado dos monstros, das hidras, de todas as forças horríveis que mantinham a humanidade submissa. Sei que ainda há, e talvez haja sempre, muitos dragões a vencer... Mas há na renúncia à alegria algo da falência, de abdicação, de covardia."


E pensar que alguém que viveu há mais de cem anos me entendia, e que há pessoas que convivem comigo aqui e agora que simplesmente preferem não fazê-lo.