quinta-feira, 27 de agosto de 2009

All the pretty faces

Ela era feia.

Ela tinha um nariz especialmente grande, a pele cheia de espinhas, o cabelo despenteado. O aparelho era cheio de borrachinhas e pedaços de comida que davam um pouco de nojo quando ela ria. A única coisa que se salvava eram os olhos. Eles eram azuis, profundamente azuis - e grandes, e com cílios compridos. Mas eles não importavam. O mais feio nela eram os dentes, e eles apareciam o tempo todo, nas risadas escandalosas que ela dava - e dava com os olhos se fechando ligeiramente, acabando com a sua única qualidade.

Nas minhas lembranças, ela parecia estar sempre mastigando algo. Não era gorda, a propósito - era magra, alta e sem corpo. Ela tinha algumas fitas coloridas amarradas num dos pulsos. Acho que uma delas era verde, mas não lembro direito. Não lembro nem o nome dela (acho que ela também se chamava Fernanda, mas é só uma impressão). Não éramos muito íntimas, afinal.

Ela gostava de mim.

Até hoje não entendo direito o motivo, e não é falsa modéstia. Ela parecia se socializar bem com as pessoas. Mas era sempre do meu lado que se sentava, todas as aulas, o pulso com a fita verde-limão amarrada se apoiando de forma displicente na carteira, como uma menina infinitamente mais bonita não conseguiria fazer jamais. Ela gostava bastante de mim. Nunca nos vemos fora da sala do curso, mas ela me adicionou no orkut e me mandou um depoimento falando como se fôssemos velhas amigas. Ela costumava rir muito das piadas e comentários bobos que eu fazia - dizia que eram hilários. Ela falava o tempo todo que eu era "muito engraçada".

Era do tipo que se apoiava no ombro dos outros para rir. No meu, principalmente. Apoiava-se e jogava o corpo para frente, rindo alto, escandalosamente, atraindo risadinhas de deboche dos outros alunos e um olhar de censura da professora. Chorava de rir fácil. E limpava as lágrimas de riso com as pontas dos dedos, abrindo ligeiramente os olhos muito azuis, os dentes feios completamente à mostra.

Acho que eu gostava dela, também.

Depois que saí do curso, nosso contato se tornou escasso. Fomos trocando scraps cada vez menos até pararmos de vez. Não senti falta. Mas, recentemente, passei por uma alteração de seu profile no orkut, que dizia que ela tinha mudado muito, que tinha amadurecido e parado de fazer besteiras. Os álbuns ainda estavam cheios, mas não havia mais foto no avatar. Nunca cheguei a vê-la de novo.

Espero que continue feia. E que continue rindo.

X

Ele era lindo. Ele tinha cabelos escuros e sedosos, grandes olhos castanhos que brilhavam muito e lábios grossos. Acho que eu poderia ter tido uma espécie de paixonite infantil por ele, algum dia, se não nos conhecêssemos a tanto tempo e nos odiássemos na mesma medida. Eu lembro o nome dele, ainda, mas não quero citar aqui - ele tinha um nome duplo e comum, e chamá-lo o fazia detestável.

Não me lembro quando nos conhecemos. Acho que foi no maternal, ou em algum momento do jardim de infância. Me lembro que éramos bons amigos. Algumas das minhas coleguinhas já tinham escolhido os garotos de quem "gostavam", mas eu ainda não via a diferença entre o gênerio masculino e feminino, então nunca consegui gostar dele. Sabia, meio que com indiferença, que ele era bonito, mas ele poderia ser deformado que não significaria nada para mim. Ele era engraçado. Era engraçado, porque ele fazia piadas o tempo todo, mas ria pouco. Desde pequeno, ele tinha uma tendência para o deboche, e a maioria de seus risos era assim.

Fomos amigos por um tempo. Ficávamos nas mesmas turmas, brincávamos no recreio. Freqüentamos a mesma colônia de férias - e ele costumava desobedecer aos monitores e nadar até o lado mais fundo da piscina (no que eu nunca o acompanhava, embora ambos fôssemos capazes de nadar ali), e então se remexer em falso desespero e fingir que se afogava. E eu, que tinha tanto talento para a estupidez como ele para o deboche, esquecia rapidamente os meus princípios e nadava até ali, apenas para ficar furiosa enquanto ele ria e bater nas suas costas.

Eu batia muito nele.

Não lembro direito quando a amizade deu lugar à implicância mútua. Não conversávamos nem brincávamos mais juntos, mas ele gostava de me incomodar, xingando e roubando as minhas coisas. Eu batia nele, chutava, ficávamos trocando ofensas aos gritos até algum professor intervir. E aí vinha a minha vitória, enquanto ele era levado para o coordenador, com os olhos brilhando de raiva. Mas às vezes eu não vencia. Às vezes ele ganhava e eu começava a chorar ali mesmo - a suprema derrota.

Algumas vezes ainda dava para enxergar um vestígio da nossa antiga amizade - ele mandou um garoto que riu do meu choro calar a boca; eu livrei a cara dele na coordenação um pouco depois. Mas nunca passou disso. O deboche dele começou a ficar pior. Ele machucava as pessoas. Nunca bateu em mim intencionalmente, que eu me lembre, mas o fazia com outros. Ele tirava dinheiro de alguns alunos, jogava mijo em outros. Conhecia toda uma série de palavrões e fazia questrão de exercer sua fluência neles em plena sala de aula. Mesmo assim, eu sentia uma espécie de carinho relutante por ele, talvez só pelo fato de conhecê-lo há tanto tempo.

Aí ele saiu do colégio, eu saí do colégio, e não voltamos a nos ver. Ouvi dizer que os pais os mandaram para um colégio bem rigoroso. Não imagino como deve se sair lá - provavelmente, mal. Ele continua debochado, sem dúvida. Continua bonito. Mas tenho a impressão de que os olhos dele não brilham mais.

X

Não sei se ele era bonito ou feio. Ele tinha cabelos castanhos um pouco compridos, usava óculos, e não lembro de que cor eram seus olhos. Não lembro seu nome também. Tinha a pele clara e algumas espinhas, mas também alguns sinais.

Ele era mais velho, do segundo ou terceiro ano. Gostava de matemática, era calmo e paciente. Não tínhamos nada em comum e nunca reparamos um no outro. Eu estava na sexta série, e fugia dos "mais velhos" como o diabo foge da cruz. Ele apenas não me notava, o que, honestamente, eu não teria feito questão de mudar. Não tinha nenhum penteado ou estilo fora do normal. Na verdade, nunca teríamos falado um com o outro, se não fosse aquele único interesse comum: A biblioteca. Ele a freqüentava tanto quanto eu. E, um dia, quando eu devolvia A Mão de Leonardo, ele se dirigiu à mim pela primeira vez, com a voz séria e calma: "Esse livro é muito bom."

Foi a primeira vez que reparei em sua presença. Ele não era bonito o bastante para me intimidar, mas não era feio o bastante para atrair meu assombro. Respondi normalmente, e ele respondeu a minha resposta normalmente, e assim nasceu a nossa pequena amizade - normalmente.

Digo pequena porque jamais levamos adiante. Talvez soubéssemos que, na ausência de uma porção de livros, nosso contato soaria desconfortável e artificial. Às vezes nos cumprimentávamos nos corredores, mas era só. Nunca nos aprofundamos muito nas nossoas conversas, elas eram sempre superficiais e comuns: Matérias de escola, livros, etc. Ele tinha por mim o que parecia ser uma espécie de instinto paternal. Era bastante certinho e isso às vezes me irritava. Lembro de uma vez em que, pouco antes de uma prova de matemática, comentei que estava com dificuldades na matéria. Ele ofereceu ajuda, mas recusei educadamente. Mais tarde, ao receber uma nota baixa, comentei isso com ele, com um sorriso sem graça. Esperava que ele sorrisse, mas recebi, ao contrário, um olhar de censura e um: "Viu, se tivesse aceitado minha ajuda, isso não aconteceria."

Agora que paro para lembrar, não lembro de tê-lo visto sorrindo. Não que seja grande coisa - convivemos por pouco tempo, afinal. Mas o engraçado é que, apesar disso, ele nunca me pareceu triste.

É, acho que foi isso que me chamou a atenção nele. Ele nunca sorria e raramente fazia piadas. Mas não parecia melancólico ou tímido, apenas sério, quieto e compenetrado. Naquela vez, pensei que só oferecera ajuda na matéria por educação, mas agora penso que era seu jeito de fazer as coisas, e que a censura depois não teve o intuito de me irritar - acho que isso nem deve ter passado pela cabeça dele. Ele não tinha nenhuma segunda intenção ao me abordar na biblioteca, nem mesmo como amigo - só reparara em mim por causa do livro, mesmo. Era uma pessoa interessante, no fim das contas. A sua simplicidade o fazia difícil de entender.

Acho que ele era bonito.

X

Nunca cheguei a trocar nem duas palavras com ela. Para falar a verdade, ela foi expulsa meses depois de eu chegar na escola. Era mais velha, e nem devia saber da minha existência, mas eu a conhecia, definitivamente. Loura oxigenada, com o cabelo comprido ressecado; maquiagem fortíssima nos olhos e nos lábios às oito horas da manhã; decotes e vestidos chamativos e exagerados - além de um ar ligeiramente doentio. Ela me assustara logo à primeira vista, por ser um estereótipo tão descarado. Pensei que deviam proibi-la de ser tão... Tão clichê. Só lhe faltava um cigarro na boca para completar o personagem barato.

E sua história seguira o mesmo curso de todas as outras. Pálida em excesso, com olheiras visíveis debaixo de toda a sombra absurdamente escura, dava para perceber que ela se drogava só de olhar. Não era como um outro menino que também estava metido nisso - ele disfarçava bem, com o jeito de anjinho, loiro natural de cabelo lisíssimo e olhos azuis. Nunca o achei bonito, e fiquei surpresa ao descobrir que eles já haviam ficado - até transado, segundo as más línguas. Poderia perfeitamente ser verdade, mas, por algum motivo, achei que não era. Ela parecia mulher demais para ele, independentemente do seu ar doentio ou não. Era tão baixa que ficava até menor que ele, que já não era alto - mas, para mim, o contraste entre os dois era evidente.

Não que ela fosse bonita. Digo, racionalmente falando, ela não era: Olhos escuros e comuns, pele pálida, dentes grandes. Tinha um corpo relativamente bonito, nada excepcional. Mesmo os seus decotes pareciam mais apelativos do que sensuais. Mas, por algum motivo, eu a achava atraente. Não por sua personalidade, já que eu não a conhecia, mas por alguma outra coisa que não sabia explicar.

Jamais conversamos de fato, e tudo que eu sabia sobre ela era o que ouvia dos outros. Mas as informações não eram muito úteis, entretanto: Eles apenas diziam que ela era puta e que era drogada, coisa que eu podia perceber só de olhá-la (embora, por um tempo, tentasse não fazê-lo - pensava que ela se parecia tanto com esse estereótipo que seria absurdo se o fosse de fato). Ela foi a primeira pessoa que eu conheci que era, de fato, um desses clichês de histórias ruins, sem tirar nem pôr. Mesmo assim, fascinava-me de um jeito estranho.

E, como todo clichê, seu final foi previsível: Foi pega fumando maconha no banheiro e devidamente expulsa da escola. Ela era tão comum que não pude entender porque me atraía, até passar por ela na rua, um dia desses. Continuava maquiada e apelativa, e seu cabelo ainda era oxigenado e mal cortado. Trazia o ar doentio de sempre e um sorriso meio sádico nos lábios, desta vez segurando o devido cigarro. A beleza da decadência.

X

Esses dias, no msn, pedi para uma amiga um tema para postar aqui - e ela disse "pessoas bonitas". Isso despertou algo em mim. Não sei o que falar da beleza em si, só de pessoas que, por ventura, a possuem - mesmo que não pareça. Gosto de observá-las, e destacar os detalhes de seus seres, aqui e ali. De analisá-las, de ruminá-las e de jamais entendê-las. Gosto muito.

Agora, a beleza? Acho que só vendo-as você seria capaz de entender.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Analisando um microchip

Eu achei que a conhecia de algum lugar. Não conhecia seu rosto, não sabia sequer o nome dela. Mas eu a conhecia de algum lugar. Expremi os olhos e o cérebro em procura do nick na tela, por um bom tempo, e concluí: "acho que eu já li alguma coisa dela". Satisfeita por ter lembrado, cliquei. E realmente já lera alguma coisa dela. Uma fic do Near, outra do Mello. O nome dela nas páginas de comentários de algumas fanfics que eu gostara. Acho que nunca cheguei a mencionar, mas eu achava engraçada a maneira como ela comentava - um parágrafo separando cada frase. De um jeito direto, quase seco. Não era o tipo de elogio que eu faria, nunca foi. Mesmo assim, gostei dela. Não de maneira sobrenatural, nada além de uma leve simpatia. O suficiente para responder os comentários, pelo menos. E o suficiente para que, quando ela pedisse, eu a adicionasse no msn.

Não foi como se tivéssemos uma sintonia imediata. Ela não me despertava tanta curiosidade assim, e não acho que eu despertasse nela. Mas conversamos. Trocamos idéias, opiniões, risadas e, mais tarde, fics. A fic que fiz pra ela acabou sendo meu primeiro e maior sucesso. Se teve algo a ver, não sei. Mas ela ficou feliz, e ficou séculos me xingando e me elogiando por causa daquilo, e me fala até hoje que foi uma das melhores que eu já fiz. E eu não falei isso na época, mas aquilo valeu mais do que todos os outros comentários na página de reviews, juntos.

(Hoje em dia, não considero aquela fic tão boa como achamos na época. Eu mudaria alguns trechos dela, com certeza. Algumas palavras, algumas estruturas, o modo como alguns personagens foram colocados. Mudaria alguns diálogos. Mas eu a daria para a mesma pessoa.)

Se me pedissem para estabelecer um momento em que os meus sentimentos com relação à ela mudaram, eu não saberia responder. Foi um processo natural, através de todas as nossas bobagens - eu virei o Near e ela virou o Mello; ela virou o Luffy e eu virei o Zoro; e todas as nossas semelhanças foram explicadas por um microchip secreto que faz com que sejamos a mesma pessoa. Ela me batizou de Nana, e até hoje berra quando mais alguém tenta usar esse apelido comigo; eu a atormentei até ela me contar o seu verdadeiro nome, que, como prometi, nunca contei a ninguém. Dividimos uma quantidade inimaginável de piadas internas, tantas que não consigo lembrar de todas, como "um domingo verdadeiro", "idiotas de capa são heróis também", "essa fic está ONE PIECE", o emoticon noiado e o *bigod*. E, de repente, o meu primeiro pensamento ao ter uma idéia para uma fic não foi mais como ela ficaria quando eu a passasse pro word, e sim: "Porra, a Anne vai surtar com isso". E ela sempre surtava, e me elogiava-xingava de um jeito que só nós entendíamos.

E a gente ria.

Eu gosto de rir com ela. Sempre gostei. Eu gosto de surtar aleatoriamente com ela no meio de um assunto completamente diferente, pra depois ouvir um "nossa, que random 8D". Eu gosto quando uma de nós chega do nada, falando "NANA, OLHA SÓ", e deixa um emoticon retardado que sempre acaba virando mania entre nós. Eu gosto de xingar quando ela me manda um trecho de uma fic que ela escreveu, só pra me ouvir falar "está foda, desgraçada" - e então mandar um "mesmo?" só pra ouvir mais elogios. Eu gosto de ter a mesma opinião que ela. Eu gosto de discordar dela, e entrar num debate muitas vezes insignificante que às vezes dura um tempão. Eu gosto quando falo que vou viajar e ela me xinga por não ter avisado antes, e quando eu volto me manda um "NANA" no momento em que reapareço no msn.

Eu gosto dela.

Hoje, ela faz aniversário. E de repente me dei conta que, todo esse tempo, eu nunca disse de verdade o que - o quanto ela significa pra mim. Acho que ela já sabe, seja por causa das fics, das risadas, dos "te amo" na hora de sair do msn. Acho que ela sabe. Mas eu queria dizer de novo, num texto bobo, cheio de pagação de pau e rasgação de seda, que ela é uma das pessoas mais importantes na minha vida.

Porque acho que nunca disse isso. E acho que devia ter dito mais vezes.

E acho que é isso. Ela não combina com esses textos, ela vai me xingar. Mas eu queria falar aqui a verdade, falar que cada um dos corações e "te amo's" de despedida foram sinceros, falar que eu não visualizo os meus dias sem ela, e falar que, acima de tudo, mesmo que eu estivesse rindo, a cada vez que eu a chamei de "nakama", eu falei sério.

X


"Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: 'Porque era ele, porque era eu'." - Michel Eyquem de Montaigne.

sábado, 8 de agosto de 2009

Pensamentos soltos,

porque tenho tido muitos ultimamente.

X

Acho que as pessoas falam demais da dor. Não que isso seja fora do comum - afinal, ela é ruim, ela machuca, ela dói. Acho que as pessoas fogem demais dela. Dá pra entender, claro - a idéia de se ferir dá medo. Mas, às vezes, acho que algumas pessoas deviam se machucar mais - porque eu acho que, às vezes, você precisa sentir dor só para saber que está vivo.

X

É engraçado que todo mundo ache que o amor é um sentimento nobre. Eu acho que o amor é egoísta. Ele quer tudo que envolve uma pessoa só para si. Não que isso o faça ruim, mas o faz humano - é, o amor é o sentimento mais humano que existe. Porque ele oscila entre o que é bom e o que é ruim, o que faz bem e o que te machuca. Ele é sábio e infantil, ele se contradiz no que ele próprio é. Ele é cego e ele vê tudo. Ele é hipócrita. Ele foge o tempo todo, e ele é mais corajoso que todas as pessoas do mundo juntas. E tudo depende da maneira como lidam com ele - ou ele te torna uma pessoa melhor, ou ele te destrói.

Ele é como qualquer um de nós.

X

A parte de andar sozinha que eu mais gosto, é a de poder olhar pro céu sem ninguém estranhar. E sempre que faço isso, a impressão que tenho é que nunca vi algo tão, tão bonito e tão imenso - e, se ficar muito tempo olhando, tenho uma sensação tão grande de paz que acho que vou ser esmagada por ela. Eu queria que mais pessoas sentissem isso.

X

Se afeiçoar a alguém é engraçado: Às vezes, você se afeiçoa por alguém egoísta, com problemas de relacionamento, venenoso, estúpido e exagerado - e você sabe de tudo isso. Mas, mesmo assim, você se afeiçoa à ele - não pelo que ele é, mas pelo que vocês vivem. Porque ele está lá, só isso. Porque ele está lá.

X

Queria que as pessoas falassem mais de risos. Já temos analogias demais para as lágrimas. Queria que alguém um dia descrevesse (fosse num post de blog, num livro, numa série, numa música ou num filme) a sensação de rir de verdade, com vontade, de uma piada às vezes nem tão engraçada - mas que acumula os risos na sua boca como se fossem água, e num momento eles transbordam, e escorrem por todo o lado enquanto você se inclina pra frente e leva as mãos ao rosto, e você ainda fica rindo por um bom momento sem nenhum motivo, quando o momento engraçado já passou.

Queria que as pessoas rissem mais.

X

Queria entender que eu não sou capaz de entender tudo.

Queria me conformar com isso.