terça-feira, 28 de abril de 2009

Cores e pêlos (e amizade).

Primeiro eu pensei: "Não, não vou fazer um post sobre isso". Depois me lembrei que não estou fazendo esse blog para agradar ninguém, então eu posso postar o que bem entender na hora que bem entender. Claro que as pessoas podem escolher não ler também, mas, né, só lamento.

O assunto desse post vai ser imediatamente reconhecido pelas pesssoas que, na época de infância, visitaram a minha casa. Como nem todos tiveram essa sorte, vale explicar: No período entre os três e os onze anos de idade, a maioria das garotas brinca de boneca. Ao visitar minhas amigas nessa época, lembro de ter ficado surpresa pela quantidade de corpos de plástico que via em cada quarto. No entanto, para total desespero da minha figura paterna, jamais me interessei por bonecas - fossem Barbies ou bebês que choravam ao ter a barriga apertada, eu considerava bonecas tão divertidas para brincar quanto um exercício de matemática. Aliás, mentira, eu gostava de matemática naquela época.

Contudo, não pensem que o dinheiro dos meus pais ou as minhas tardes de fim de semana eram poupados graças à este desinteresse. Como uma espécie de compensação da natureza por não ver graça em bonecas, fui abençoada com outro vício: Bichos de pelúcia.

Sim, isso mesmo. Vacas, cachorros, porcos, pássaros, répteis altamente nocivos - não importava a classificação do mundo animal, eu amava todos. Não importava se viessem de uma loja da Disney ou de uma daquelas maquininhas de shopping nas quais ninguém jamais consegue pegar nada (mas o meu pai conseguia). Eu tinha bichos de todas as espécies, cores e níveis de volume de pêlo que você puder imaginar. Que diabos, eu tinha até um ORNITORRINCO. Não lembro direito o que aconteceu com ele, mas tinha.

O caso é que, aos cinco anos, eu tinha tantos bichos de pelúcia que eles enchiam TRÊS ARMÁRIOS do meu quarto. E duas gavetas. E isso apertados.

"Ah, que bobagem, Fernanda, você jamais conseguiria brincar com todos." Errado, seu babaca sem imaginação. Não há limites para a critividade de uma criança quando se trata de incluir todos os bichinhos na brincadeira e não deixar nenhum triste. Então, numa tarde típica de sábado (ou domingo, ou feriado, sei lá), eu e meu irmão tirávamos todos os bichos do armário e fazíamos... Uma guerra. Sim, isso mesmo que você ouviu. A gente ficava tacando bichos diversos um no outro até o final do dia. Era divertido pra caralho. Quando nossos amiguinhos vinham aqui em casa, a diversão dobrava: Nos dividíamos em dois times e fazíamos uma muralha (de bichinhos, LÓGICO) entre nós, e aí a porrada... Digo, a brincadeira começava. Mas lógico que tinham outras diversões igualmente doentias. Como empilhar todos os bichos maiores (inclusive o maior de todos, o Azulão, um urso tamanho gigante que decora o canto do meu quarto até hoje. Azul, obviamente.) em cima de um pobre coitado (na maioria das vezes, o meu irmão mesmo. Pode até ter sido trauma, mas ele desenvolveu uma capacidade respiratória IMPRESSIONANTE) e, depois, se jogar em cima de tudo. Ou fazer uma piscina de bichinhos e pular da minha cama diretamente para o chão... E para o mar de pelúcias.

Pode até parecer idiota descrito agora, mas na época era o auge. Todos os nossos coleguinhas morriam de inveja do meu estoque, e todo mundo que aparecia lá em casa acabava brincando com eles sempre. Agora que paro para pensar, é uma sorte que nenhum dos meus amigos fosse alérgico. Enfim.

Depois dos onze, eu parei de fazer aquela piscina. Para ser honesta, esqueci da existência de todos eles, aquelas coisinhas de pano que formaram a minha infância. Até que, essa semana, a minha madrinha veio reclamar comigo que era "um absurdo" eu continuar com aqueles armários abarrotados sem brincar com nenhum. "Separe o suficiente para encher no mínimo três sacos grandes.", ela me apavorou, "Eu vou mandar eles para um orfanato. Crianças carentes vão fazer um proveito muito melhor disso do que você, Fernanda." E saiu de perto, irritada, praguejando em voz alta. "Só servem para acumular poeira... Francamente!"

Obedientemente, três dias depois, pausei meu Kingdom Hearts e encaminhei-me para os armários, munida de três sacos gigantes vazios e a força de vontade de um rato morto. Ao contrário do que pensei, no entanto, não senti nenhuma dor. Na verdade, eu comecei a pensar.

Quantas vezes não jurei que jamais faria aquilo? Quando eu vi Toy Story, lembro de ter ficado indignada diante da forma como o garoto vai esquecendo o Woody, pouco a pouco. "Nunca vou enjoar de vocês", prometi silenciosamente, agarrando o cachorrinho mais próximo, meu eu de oito anos mais determinado do que nunca. E agora, cinco anos depois, aqui estou contrariando os meus próprios juramentos - talvez até, como sempre prometi que jamais faria, crescendo. Passando pedaços da minha infância pra outras crianças, que farão exatamente as mesmas promessas, e as quebrarão exatamente da mesma forma.

Fico pensando no que eles acham disso tudo. Em Toy Story, o Woody é esquecido rapidamente, mas comigo foi um processo gradual. Não foi como se, um belo dia, eu tivesse acordado e decidido que fazer aquilo era "coisa de criança" - apenas, aos poucos, esvaziar o armário foi parecendo cada vez mais trabalhoso e desnecessário, e eu e meus amigos (e até, mais tarde, meu irmão) passamos a ficar mais deitados em cima dos bichinhos, falando merda, do que realmente atirando-os uns contra os outros. Deve ter sido triste, eu acho, a falta dos borrões de cores voando de canto do meu quarto para o outro.

E eles? O que teriam pensado de mim? Será que se ressentiram? Gosto de pensar que não - talvez, apenas, os mais novos tenham se recolhido com ódio durante algum tempo, sob o desdenho dos mais experientes. "Não havia como ser diferente", eles diriam, com ar sábio. "Acontece assim, afinal". E talvez os outros acabassem se conformando, uma resignação quase involuntária, aceitando que eu os alimentara com não mais do que mentiras ao longo dos anos (mas nada jamais me pareceu tão verdadeiro no momento em que eu disse, posso garantir). E, agora, deixado meu armário com sorrisos tranquilos no rosto, como se dissessem "Tudo bem, a gente entende". Ou talvez eu só preferia que fosse assim.

E, enquanto retirava-os e jogava-os dentro dos sacos, foi assustador ver como as lembranças chegavam involuntariamente. É engraçado, isso - você acorda num dia quase esquecendo que foi criança, e então descobre uma porção de recordações (é, isso, recordações feitas de pelúcia) empilhadas num lugar do seu quarto. Dói. Você sente um pouco de tristeza enquanto o faz, mas, acontece assim, afinal. Mesmo assim, de um jeito ou de outro, você acaba se desculpando silenciosamente - não só com todos os amigos que você esqueceu, mas com aquela criança boba que você foi um dia, que prometeu que nunca mudaria e acabou se traindo do pior jeito. Penso no que meu eu de oito anos me diria agora - não seriam palavras amigáveis. Seriam raivosas. Conteriam decepção. "Você me prometeu que nós seríamos diferentes. Você disse isso! E agora, olha só pra você... Você está parecendo... Está parecendo uma ADULTA!" E ela me daria as costas com ódio, após proferir o maior insulto que pôde imaginar na hora.

Mas, anos depois, sei que ela voltaria. Ela cruzaria os braços de um jeito irritado de quem não gosta de admitir que errou. E ela diria "Certo, talvez a culpa não tenha sido sua". Com o talvez no meio, claro, porque eu nunca gostei de admitir um erro abertamente. Mas ela teria razão, afinal. A culpa não foi minha. A culpa não foi dos meus amigos ou do meu irmão. A culpa - com certeza- não foi deles. A culpa foi do tempo, esse filho da puta mau caráter, que gosta de acabar com o que a gente ama e com o que a gente acredita. Mas nem ele pode acabar com as minhas lembranças - eu guardei os mais importantes, eles ainda enchem um armário. Ainda não, Tempo. Não vai levar tudo de mim de uma vez, pelo menos, não agora.

Mas, mesmo assim, agora eu abro o armário só pra observar o resultado do meu trabalho e ele parece tão vazio... O que vou fazer quando não restar nada lá dentro? Quando só se tem as lembranças na mente, e nenhuma forma física? É tão fácil se esquecer de algo que você não vê todos os dias.

Mas eu não vou pensar nisso, não agora. Vou pensar nas crianças que vão abrir aqueles sacos daqui a alguns dias e dar a eles toda a atenção que eu costumava dar. E nos meus velhos amigos - os verdadeiros amigos de infância -, agora novos aos olhos delas. E vou esperar - vou torcer para que os pêlos espalhados pelo ar e todas as cores que um animal de verdade jamais teria possa ser sinônimo de felicidade para elas por mais tempo do que foi para mim.

Muito mais.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Marketing

Ou Pagação de Pau Descarada, como preferirem.

Então, eu pensei bastante em como começar isso - sabem, primeiro post de verdade e tal, e decidi iniciar com uma recomendação (ok, está mais para surto de fangirl do que qualquer outra coisa, mas relevem). Sendo mais específica, uma amiga veio me perguntar no msn quais eram as coisas que eu enumerei no meu "Quem Sou Eu" (você só reparou nelas agora, pode dizer), e, quando as listei, ela não conhecia uma boa parte delas. Por causa disso -e porque eu adorei a idéia de poder dissertar sobre o que gosto em paz -, decidi postar aqui sobre cada um dos citados, aleatoriamente. Para poupá-los do trabalho de olhar, eu citei "uma banda" na descrição. Sendo honesta, poderia citar milhares de bandas, mas esta, em especial, é a que eu chamaria de "minha favorita". E, bem, não é que eu seja uma dessas pessoas underground que curtem bandas que nem as mães dos integrantes sabem que existem, mas você provavelmente não conhece essa.


"I'm just somewhere in between, what's real and what's is just a dream."

E aí, reconheceu? É, eu sei que não. Bom, para começar, o trio aí de cima chama-se Lifehouse, e, agora que eu citei o nome, algumas pessoas devem ter se lembrado. Da esquerda para a direita, Jason Wade (guitarra e vocal), Bryce Soderberg (baixo) e Rick Woolstenhulme (bateria). Ainda tem o Ben Carey (guitarra), o mais novo integrante, mas eu não achei foto decente dele com os outros, então vai separado mesmo.

Digam "Oi, Ben".

Situando vocês, Lifehouse é uma banda de rock alternativo que nasceu no ano 2000, em Los Angeles, California. Antes que alguém pergunte, não, não é gospel. O boato nasceu do fato do Jason ser cristão e, na época de escola, ter feito várias músicas referentes à Deus. Porém, ele mesmo afirma que a banda não é gospel, e que as letras não tem necessariamente influência religiosa. "Eu gosto de dar aos fãs a opção de interpretar as letras como queiram. Eu gosto de deixar em aberto", declarou ele. Além disso, Rick também negou a hipótese da banda ser gospel, quando indagado por uma fã, dizendo que "as letras são inspiradas nas pessoas". Então, cara, não caiam nessa. Muita gente confunde, mas Lifehouse NÃO é gospel.

Ok, agora que eu deixei bem claro este ponto, vamos à pergunta que todo mundo deve estar se fazendo agora: "Tá, Fernanda, mas... Por que Lifehouse? Que que tem de mais?" E eu respondo: Porque é foda. Porque os clips são simples, mas fantásticos. Porque as letras são babantes. Porque a voz do Jason quebra as pessoas, em TODAS as músicas.

Sendo mais específica e menos fangirl, o primeiro hit de sucesso deles foi Hanging By a Moment, que também foi a "Música Mais Tocada em 2001". Se você é fã de Smallville ou Grey's Anatomy, já deve conhecer as músicas Everything e You and Me, que, respectivamente, foram tocadas nos seriados (You and Me também tocou em Smallville: The Metropolis Mix). Essas são as mais famosas, mas não são as melhores. As minhas favoritas são Breathing, Fairy Tales and Castles e First Time. Em matéria de letras, nenhuma bate Fairy Tales, mas Broken e Chapter One são igualmente dignas. Mas todas são fodas e altamente recomendáveis, ou seja: Baixem, porra.

Pra finalizar, assistam os clips de First Time, Broken e Whatever It Takes, porque são os melhores. Sério. Quando vocês viciarem, podem me culpar.

sábado, 4 de abril de 2009

Tem que começar de algum jeito, né?

Na real, eu não gosto de diários. Pra ser honesta, eu nunca gostei. Desde pequena não entendia o sentido de escrever o que você comeu de café da manhã num caderno com cadeado e nunca deixar ninguém ver. Naturalmente, me sentia uma excluída do universo feminino infantil, por não compreender o significado de tais tesouros. Mas eu me esforçava: Arranjava um caderno aleatório, na maioria das vezes sem o bendito cadeado, escrevia nele fielmente por uma semana... E largava. Simplesmente, deixava de lado, esquecia. E aí, quando eu lembrava do diário jogado em algum canto da casa, já tinham se passado semanas e acontecido muitas coisas e eu não tinha saco pra atualizar aquele caderninho maldito.

Não sei, de verdade, porque os diários nunca me encantaram. Talvez porque eu nunca fui de opinião que a minha vida fosse diariamente algo tão interessante a ponto de ser registrada. Talvez porque eu seja preguiçosa mesmo. De qualquer modo, é um caso a se pensar.

Mas, se estou postando isso, é porque não pretendo considerar esse lugar um diário - então você vai ter que procurar outro meio de informação para saber o que eu como no café da manhã todos os dias, sorry. Está mais pra um ponto de desabafo, reflexão, pra resenhar o que eu quiser, pra escrever o que eu bem entender. É um lugar meu, é um lugar onde eu vou escrever coisas minhas - não da minha vida, mas do que eu penso. Talvez isso intesse a alguém, sei lá.

Mas não vou deixar que vire outro caderno jogado por aí. Prometo.